Com uma trajetória marcada pela transição do norte goiano à consolidação do Palácio Araguaia, o ex-governador deixa um legado de retidão, saúde e educação aos 85 anos.
O Tocantins amanheceu com um vazio histórico neste sábado (27). Aos 85 anos, despediu-se Moisés Nogueira Avelino, uma figura cuja biografia se confunde com a própria certidão de nascimento do estado. Médico por formação e vocação, Avelino não apenas tratou vidas, mas ajudou a dar saúde institucional a um estado que dava seus primeiros passos. Natural do Piauí, ele adotou o solo tocantinense como missão de vida, transformando-se em um dos pilares da consolidação política e administrativa da região ao longo de mais de quatro décadas de serviço público.
O “Doutor” de Paraíso e do Araguaia
Antes de ocupar as mais altas cadeiras do Executivo e Legislativo, Dr. Moisés construiu sua base na proximidade com o povo. Formado em medicina pela UFG em 1973 e atuante no setor agropecuarista, ele iniciou sua jornada política em Paraíso do Tocantins, cidade que governou em dois momentos distintos de sua vida. Sua gestão como prefeito (1983-1988 e 2013-2020) é lembrada por avanços estruturais que mudaram a face da cidade, desde a urbanização até o fomento à indústria local. Para muitos, ele era o conselheiro sábio que unia o conhecimento técnico à sensibilidade humana de quem conhece as dores do interior.
A conquista do Palácio Araguaia e o olhar para o futuro
Avelino gravou seu nome na história como o segundo governador eleito do Tocantins (1991-1994). Em uma vitória emblemática, ele assumiu o comando do estado em um período de construção de identidade. Foi sob sua batuta que nasceu o projeto da Universidade Federal do Tocantins (UFT), provando que sua visão de governo ia muito além de obras de asfalto; ele acreditava na educação como o verdadeiro motor de independência de um povo. Como deputado federal, levou a voz do Vale do Araguaia ao Congresso Nacional, defendendo a região com o vigor de quem conhecia cada palmo de sua terra.
Grandeza política e a ética acima dos partidos
A morte de Moisés Avelino gerou uma onda de comoção que uniu aliados e antigos adversários. Eduardo Siqueira Campos, prefeito de Palmas, destacou um dos gestos mais nobres de Avelino: o momento em que ele priorizou o bem do estado ao apoiar Siqueira Campos para um último mandato, contrariando diretrizes partidárias. Essa “grandeza política”, como descrita por contemporâneos, é o que o define como um patrimônio moral. O governador Wanderlei Barbosa e o vice Laurez Moreira reforçaram que o Tocantins perde um líder que sempre soube dialogar e colocar o interesse público à frente das cores ideológicas.
A última batalha e as despedidas
A resiliência que marcou sua carreira política também foi vista em sua vida pessoal. Em 2019, durante seu último mandato como prefeito de Paraíso, enfrentou com coragem um tumor ósseo na bacia, licenciando-se para cuidar da saúde. Agora, o guerreiro descansa. O velório acontece no salão do Colégio São Geraldo, em Paraíso, local aberto ao público desde as 9h. Após a missa de corpo presente às 17h, na Igreja Matriz São José Operário, o cortejo seguirá para o Cemitério Bom Jesus, onde o médico, o agropecuarista e o estadista será devolvido à terra que tanto ajudou a florescer.


























