Em convenção na capital paulista, senador assume cabeça de chapa da legenda em ato marcado por críticas ao Judiciário e afagos do líder argentino.
Em um evento com forte apelo simbólico e alta carga emocional, o Partido Liberal (PL) homologou oficialmente a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A convenção, realizada no último sábado, dia (25/07), no Mercado Pago Hall, no complexo da Arena Pacaembu, em São Paulo, reuniu milhares de apoiadores, correligionários e proeminentes figuras da direita nacional e internacional.
Inteligência artificial e comoção
Impedido de emitir declarações políticas por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro esteve presente no evento por meio de uma simulação digital. O recurso de inteligência artificial reproduziu sua imagem e tom de voz para transmitir um recado direto aos correligionários reunidos na capital paulista.
“Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu, é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial”, iniciou a gravação projetada nos telões do espaço. Na mensagem, o ex-mandatário declarou estar “preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária baseada em algo que eu nunca fiz”, culminando no pedido ostensivo de apoio ao seu primogênito: “Peço que recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio Bolsonaro”.
Visivelmente emocionado ao lado da esposa, Fernanda Bolsonaro, o agora candidato oficial discursou destacando a memória e a liderança do pai. “Peço a Deus sabedoria e força para resgatar o Brasil”, afirmou o senador. “Minha saudação aos que não podem estar presentes aqui hoje, em especial, a Michelle, e ao meu pai, Bolsonaro, o maior e mais injustiçado líder brasileiro, vítima da maior farsa que esse país já presenciou”, completou.
Palco de alianças conservadoras
A mesa do evento contou com discursos de destaque de aliados de peso. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), enfatizou pautas voltadas à segurança pública, enquanto o prefeito paulistano Ricardo Nunes (MDB) pregou a coesão da direita. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e os irmãos Eduardo e Carlos Bolsonaro também enviaram declarações gravadas em vídeo.
O grande destaque internacional do encontro foi o presidente da Argentina, Javier Milei, que discursou em tom inflamado contra o atual governo brasileiro e em defesa das pautas liberais e conservadoras na América Latina. “A onda azul está chegando ao Brasil pelas mãos de Flávio Bolsonaro”, pontuou o chefe de Estado argentino, sob aplausos do público.
Propostas e cenário político
Durante sua fala, Flávio Bolsonaro mirou no eleitorado conservador ao defender pautas de endurecimento penal, como o aumento de penas para violência contra a mulher e a implementação da castração química para condenados por estupro. O parlamentar também teceu duras críticas à composição atual e futura do Judiciário brasileiro.
O PL chega ao momento do anúncio sem uma definição sobre o nome que ocupará a vaga de vice-presidente e sem coligações formais fechadas no âmbito nacional. A expectativa de interlocutores da sigla é que agremiações do centro estendam a neutralidade na corrida presidencial, liberando os diretórios regionais para os arranjos locais.


























