Temporada de praias exige atenção: Corpo de Bombeiros reforça cuidados contra afogamentos, arraias e piranhas no Tocantins

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Temporada de praias exige atenção: Corpo de Bombeiros reforça cuidados contra afogamentos, arraias e piranhas no Tocantins

Tocantins possui 97 praias catalogadas e já registrou 25 mortes por afogamento em 2026; especialistas orientam banhistas sobre medidas simples que podem salvar vidas.

Com a chegada da aguardada temporada de praias, os rios e lagos do Tocantins tornam-se o destino principal de milhares de moradores e turistas em busca de lazer. No entanto, o cenário paradisíaco esconde riscos que exigem cautela. Para garantir que a diversão não termine em tragédia, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado emitiu um alerta rigoroso focado na prevenção de afogamentos e nos cuidados necessários para evitar incidentes com arraias e piranhas nas 97 praias catalogadas da região.

Álcool e os riscos

Embora o Tocantins tenha registrado uma queda nos afogamentos até o dia 23 de junho deste ano — com 25 óbitos frente aos 39 contabilizados no mesmo período do ano passado —, os números ainda acendem um sinal de alerta vermelho. O principal vilão por trás dessas estatísticas continua sendo a perigosa combinação entre rios e bebidas alcoólicas. De acordo com o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, Antônio Luiz Soares, em entrevista ao G1, o álcool distorce completamente a percepção do banhista. “A pessoa alcoolizada, no primeiro momento, fica mais eufórica e perde a capacidade de avaliar o risco, observar os perigos e também superestima sua competência aquática. A embriaguez representa 47% dos afogamentos que acontecem aqui no Tocantins, considerando a média dos últimos cinco anos”, revelou o oficial.

Estatísticas que preocupam

O panorama histórico do estado reforça a necessidade de campanhas educativas contínuas e da presença massiva de guarda-vidas. Anualmente, o Tocantins registra uma média de 64 mortes por afogamento, teto que foi superado em 2025 com o triste saldo de 72 vítimas fatais. A situação posiciona o estado em um patamar desconfortável no cenário nacional. “O Tocantins tem o quinto índice mais crítico entre os estados brasileiros. Por isso intensificamos campanhas de orientação e a atuação de guarda-vidas para reduzir esse número”, enfatizou Soares, justificando o reforço operacional durante o veraneio.

Ameaça camuflada na areia

Outro perigo que ganha força com o aumento do fluxo de pessoas nas águas são os acidentes com arraias. Dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES) apontam que, entre janeiro e 18 de junho de 2026, o Tocantins já computou 120 ocorrências desse tipo. No ano anterior, o balanço fechou em 533 casos, tendo o mês de julho — o ápice das férias — como o período mais severo. O aumento expressivo de banhistas circulando pelo habitat natural desses animais é o principal fator para o disparo das estatísticas.

Passo arrastado contra ferroadas

Os especialistas alertam que o risco de deparar-se com uma arraia é consideravelmente maior em trechos de águas paradas, sobretudo nas proximidades de reservatórios de usinas hidrelétricas. Para evitar o doloroso ferrão do animal, a tática é simples, mas exige paciência. “O ideal é entrar na água arrastando os pés. Também é recomendado utilizar uma galhada para mexer a água à frente e espantar o animal. Essa é uma boa forma de evitar acidentes com arraias, que costumam causar ferimentos mais graves do que as mordidas de piranhas”, ensinou o tenente-coronel.

Alimentação atrai predadores

As piranhas completam a tríade de preocupações para a temporada de rios. Embora o sistema de saúde do estado não faça a contagem oficial dessas mordidas, os bombeiros ressaltam que o comportamento humano influencia diretamente nos ataques. O hábito de descartar restos de comida na água funciona como um chamariz perigoso. O alimento deixado para trás atrai pequenos peixes que, por sua vez, trazem os cardumes de piranhas para bem perto das margens habitadas por banhistas.

Cercados trazem proteção

Para mitigar esse risco específico, a engenharia e a infraestrutura das praias desempenham um papel fundamental. O oficial dos bombeiros esclarece que medidas paliativas não surtem efeito duradouro contra a espécie. “O único procedimento realmente eficaz para evitar ataques de piranhas é instalar cercados na área destinada aos banhistas, como acontece em algumas praias de Palmas. A comida atrai outros peixes e, consequentemente, as piranhas”, concluiu, sugerindo que a prevenção coletiva e individual andam lado a lado para um verão seguro.

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