Fiscalização minuciosa na BR-153 interceptou caminhão que transportava mais de 31 metros cúbicos de acapu sem a devida licença florestal.
A vigilância estratégica nas rodovias que cortam o Tocantins resultou em um duro golpe contra o desmatamento ilegal e o comércio clandestino de recursos naturais. Na noite desta quarta-feira, 1º de julho, uma equipe da Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizou uma importante apreensão de 31,6 m³ de madeira nativa durante uma abordagem de rotina no quilômetro 153 da BR-153, localizada no município de Araguaína, na região norte do estado. A ação reforça o papel fundamental das forças de segurança na proteção dos biomas brasileiros e na fiscalização do transporte interestadual de produtos florestais.
A abordagem noturna
A interceptação ocorreu por volta das 21h25, quando os agentes federais deram ordem de parada a um caminhão-trator que trafegava pela rodovia. Ao ser solicitada a documentação fiscal e ambiental referente ao carregamento, o motorista do veículo apresentou apenas a nota fiscal do produto. No documento fiscal, a mercadoria estava descrita de maneira genérica, uma tática comumente utilizada para tentar burlar a fiscalização e ocultar a real natureza de cargas extraídas ilegalmente de florestas nativas.
A farsa descoberta
Desconfiados das informações contidas na nota, os policiais rodoviários federais decidiram realizar uma vistoria detalhada no compartimento de carga do caminhão. Durante a inspeção física, a equipe constatou que o veículo estava densamente carregado com mourões e estacas de madeira nativa. Ao ser formalmente questionado sobre a ausência da Guia Florestal — documento obrigatório e indispensável para legitimar o transporte dessa categoria de produto —, o condutor admitiu que não possuía a licença ambiental exigida por lei.
Espécie em extinção
Após realizarem os procedimentos técnicos de cubagem e medição exata do volume apreendido, os agentes confirmaram o total de 31,6 metros cúbicos de madeira. Uma análise preliminar de identificação botânica apontou que a carga pertencia à espécie Vouacapoua americana, popularmente conhecida como acapu. A descoberta elevou o nível de gravidade da ocorrência, uma vez que essa árvore nativa está oficialmente classificada pelo Ministério do Meio Ambiente em sua lista de espécies ameaçadas de extinção, possuindo proteção severa contra corte e exploração comercial.
Consequências do crime
Configurada a ausência da licença válida para o itinerário, a PRF enquadrou o caso, em tese, como crime ambiental por transporte irregular de produto florestal. O motorista recebeu os autos pertinentes e responderá perante a Justiça pelos atos praticados. Tanto os veículos utilizados no transporte quanto a totalidade da valiosa carga de acapu foram formalmente apreendidos e retidos pelas autoridades. Todo o material agora permanece à disposição dos órgãos de proteção ambiental competentes para a aplicação das sanções administrativas e a destinação legal da madeira.



























