Apesar de 95% concluída, ponte sobre o Rio Araguaia ainda depende de desapropriações no Pará para ser entregue. Estrutura sofreu colisão com balsa e travessia segue precária com filas e risco à segurança.
A tão aguardada ponte que liga os estados do Tocantins e Pará, por meio dos municípios de Xambioá e São Geraldo do Araguaia, ainda não foi concluída. Embora a imponente estrutura sobre o Rio Araguaia esteja 95% pronta, o que falta agora são os acessos para que a população possa finalmente utilizar a ponte.
O impasse, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), é a conclusão das desapropriações no lado paraense. No Tocantins, esse processo foi encerrado ainda no primeiro semestre de 2025. Já no Pará, as primeiras audiências de conciliação estão previstas apenas para os dias 6 e 7 de agosto deste ano.
Um projeto que ultrapassou expectativas… e orçamentos
A obra da ponte foi anunciada em 2017, durante o governo do então presidente Michel Temer. Inicialmente orçada em R$ 132 milhões, a construção já consumiu R$ 204,2 milhões, valor que deve subir ainda mais com os R$ 28,6 milhões previstos apenas para os acessos, totalizando R$ 232,8 milhões.
A ponte, que integra a BR-153, era esperada para ser entregue há mais de dois anos. Seu atraso se deve a disputas judiciais, mudanças no projeto e agora à fase final das desapropriações.
Dimensões e impacto esperado
Com 1.724 metros de extensão, a ponte promete beneficiar mais de 1,5 milhão de pessoas ao facilitar o transporte, o comércio e a integração entre os dois estados. Os acessos terão 2.010 metros — sendo 310 metros no Pará e 1.700 no Tocantins — e contarão com pista de 12 metros, acostamentos e calçadas de 1,5 metro para pedestres. Haverá ainda vias marginais ao longo da rodovia.
O projeto está sob responsabilidade do Consórcio A. Gaspar/Arteleste/V. Garambone, e a expectativa do DNIT é entregar a obra até o segundo semestre de 2025, ainda sem data definida.
Travessia segue por balsas — e com riscos
Enquanto a ponte não é liberada, a população depende das balsas da empresa Pipes Empreendimentos LTDA para cruzar o Rio Araguaia. No entanto, o sistema também tem seus desafios: no último dia 14 de julho, uma das embarcações colidiu com um dos pilares da ponte em construção.
A balsa estava carregada com ônibus e caminhões e, segundo a empresa, ventos fortes e a altura dos veículos dificultaram o controle da embarcação. Felizmente, não houve feridos nem danos à estrutura da ponte, segundo inspeção preliminar.
Impacto do acidente: fila, perícia e balsa fora de operação
Após o acidente, a Capitania dos Portos de Palmas determinou a retirada da embarcação de tráfego até a conclusão de uma perícia. A situação provocou longas filas de espera para travessia, tanto do lado do Tocantins quanto do Pará.
A Marinha do Brasil, por meio da Capitania Fluvial do Araguaia-Tocantins (CFAT), informou que foi instaurado um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN), com prazo de 90 dias para conclusão. Somente após isso a embarcação poderá ser liberada, desde que apresente um novo Certificado de Segurança da Navegação (CSN).
Notas oficiais reafirmam compromisso com a segurança
Tanto o DNIT quanto a Pipes e a Marinha do Brasil emitiram notas detalhadas. O DNIT reiterou o esforço para concluir a obra ainda em 2025, enquanto a Pipes lamentou o incidente e destacou que a estiagem tem causado estreitamento do canal de travessia, elevando os riscos operacionais. Já a Marinha reforçou seu compromisso com a segurança da navegação e com a apuração rigorosa do ocorrido.
População ainda aguarda a ponte sair do papel
Enquanto a estrutura imponente se mantém à vista de quem trafega pela região, os moradores e transportadores seguem dependendo das balsas, lidando com atrasos, riscos e incertezas. A esperança agora é que os trâmites judiciais no Pará avancem com celeridade para que a ponte possa, enfim, cumprir sua missão de integrar e desenvolver a região.
Com informações do G1 – Tocantins


























