Investigação revela que candidatos pagaram até R$ 50 mil para fraudadores realizarem provas; prisões ocorreram em quatro estados nesta quarta-feira (18).
A manhã desta quarta-feira, 18 de março de 2026, foi marcada por uma ofensiva contundente contra a corrupção em concursos públicos no Tocantins. A Polícia Civil deflagrou a “Operação Última Etapa”, focada em uma organização criminosa que teria fraudado a primeira fase do concurso da Polícia Militar (PMTO), realizada em junho de 2025. O esquema consistia na contratação de “pilotos” — especialistas que assumiam o lugar dos verdadeiros inscritos no dia do exame para garantir a aprovação.
Custo Alto da Ilegalidade
As investigações, que contaram com o apoio da TV Anhanguera, revelaram cifras impressionantes: candidatos chegaram a desembolsar R$ 50 mil para assegurar uma vaga de forma ilícita. A audácia do grupo foi freada após a perícia identificar divergências gritantes entre as impressões digitais e as assinaturas colhidas no dia da prova em comparação com os dados reais dos candidatos originais. Ao todo, cinco candidatos estão sob suspeita direta de terem comprado os serviços do grupo.
Ofensiva em Quatro Estados
A Justiça, por meio da 1ª Vara Regional das Garantias de Palmas, expediu oito mandados de prisão preventiva e nove de busca e apreensão. A operação não se limitou ao território tocantinense, estendendo-se por Pernambuco, Paraíba, Pará e Goiás. Entre os alvos que ocupavam a função de organizadores do esquema, figuram figuras que deveriam zelar pela lei: um policial rodoviário federal lotado no Pará, um agente socioeducativo do DF e um ex-policial militar da Paraíba, já excluído da corporação por crimes anteriores.
Integridade do Certame Mantida
Em nota oficial, a Polícia Militar do Tocantins esclareceu que os indícios de irregularidades foram detectados pela própria Comissão Organizadora do Concurso, que prontamente acionou a Polícia Civil. A corporação enfatizou que as condutas investigadas são isoladas e individuais, garantindo que a lisura geral do processo seletivo, que atraiu mais de 34 mil inscritos para 660 vagas, não foi comprometida. Até o momento, a Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pela banca, não se manifestou sobre o caso.
Futuro dos Novos Cadetes
O concurso da PMTO, que oferece salários que podem ultrapassar os R$ 10,8 mil, segue em andamento, mas sem uma data definida para a divulgação da classificação final ou convocações imediatas. A operação serve como um alerta pedagógico e punitivo, reforçando que a tecnologia de biometria e a vigilância institucional estão cada vez mais preparadas para barrar tentativas de burlar a meritocracia no serviço público.
Íntegra na da nota da Polícia Militar do Tocantins
A Polícia Militar do Tocantins informa que, ao identificar indícios de possíveis irregularidades relacionadas à conduta de alguns candidatos inscritos no concurso público da Corporação, adotou imediatamente as providências administrativas e institucionais cabíveis para resguardar a legalidade e a lisura do certame.
A situação foi detectada no âmbito da Comissão Organizadora do Concurso da Polícia Militar, que procedeu à análise preliminar das informações e realizou o compartilhamento dos dados com a Polícia Civil do Estado do Tocantins, possibilitando a adoção das medidas investigativas pertinentes pelos órgãos competentes.
A atuação institucional teve como objetivo garantir a transparência do processo seletivo e preservar a integridade do concurso público, reforçando o compromisso da Polícia Militar com a legalidade, a ética e a seleção de profissionais qualificados para o serviço público.
A Polícia Militar do Tocantins destaca que as suspeitas referem-se a condutas individuais, não havendo qualquer comprometimento da lisura do certame como um todo.
A Corporação permanece colaborando com as investigações em andamento e reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a confiança da sociedade tocantinense em seus processos institucionais.
O caso segue sob apuração pelos órgãos competentes.


























