Brigadas do Jalapão e de Lagoa da Confusão realizam intercâmbio pioneiro de Manejo Integrado do Fogo para preservar o Cerrado e proteger comunidades tradicionais.
Uma cooperação estratégica em prol do meio ambiente uniu diferentes regiões do Tocantins em uma importante ação preventiva. O Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), por meio da Área de Proteção Ambiental (APA) do Jalapão e do Parque Estadual do Jalapão (PEJ), promoveu um rico intercâmbio de experiências. A atividade integrou os membros da Brigada Gavião Fumaça, do próprio órgão ambiental, e a Brigada Florestal do município de Lagoa da Confusão. Realizada entre os dias 28 e 31 de maio, a iniciativa teve como foco central a troca profunda de saberes sobre o Manejo Integrado do Fogo (MIF).
Estratégia dividida em etapas
O cronograma de atividades práticas foi distribuído em dois momentos cruciais para o aprendizado em campo. Na primeira fase, os brigadistas executaram uma queima prescrita na região da Fazenda Triago, cobrindo áreas de veredas e os arredores de pontos turísticos icônicos, como a Cachoeira da Velha e a Prainha do Rio Novo. Já o segundo momento trouxe um olhar humanizado e social à ação, com a realização de uma queima de base comunitária diretamente na Comunidade Quilombola do Rio Novo, aliando a técnica à realidade dos moradores locais.
Histórico e evolução técnica
A escolha do Jalapão como sede desse aprendizado não foi por acaso. A Brigada do Naturatins na região iniciou a implementação do MIF ainda em 2014 e, ao longo de mais de uma década, refinou seus métodos e aplicações de acordo com a necessidade de cada espaço. Em terras públicas, as queimas prescritas cumprem o papel vital de conservar o Cerrado e proteger a rica biodiversidade. Por outro lado, nas propriedades comunitárias, o uso do fogo é direcionado para fins tradicionais e de subsistência, servindo para a renovação das pastagens nativas, o manejo do capim-dourado e a proteção das estruturas e benfeitorias locais.
Parcerias que multiplicam agentes
Para a gestão ambiental, a união de forças é o caminho mais curto para a eficiência. Segundo a supervisora da APA do Jalapão e do PEJ, Rejane Ferreira, o intercâmbio se consolida como uma chance única de aprendizado para outras localidades que desejam adotar o MIF. “A Secretaria de Meio Ambiente de Lagoa da Confusão solicitou acompanhamento das ações do MIF para obter o conhecimento técnico acumulado pela brigada no Jalapão. Essas parcerias são essenciais para multiplicarmos agentes atuantes na preservação e no combate a incêndios”, apontou. Além das queimas em campo, a Brigada Florestal participou de ações de conscientização com os moradores e compreendeu como são firmados os acordos comunitários para o calendário de queimas do instituto.
Resultados reais e evolução
A chegada desse conhecimento técnico é vista como um divisor de águas para Lagoa da Confusão, município que historicamente enfrenta desafios graves relacionados às queimadas. O secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da cidade, Maxwell Panta, ressaltou que a brigada municipal é recente, mas já colhe frutos expressivos. “Nosso município enfrenta os incêndios florestais como um dos principais problemas ambientais. Lideramos o ranking de queimadas há bastante tempo, e a brigada tem contribuído para melhorar esses índices. De 2024 para 2025, já reduzimos a quantidade de focos. Para 2026, estamos nos fortalecendo, buscando capacitações e novas instruções, para alcançar maior qualidade e eficiência no trabalho diante dos incêndios florestais”, detalhou.

Foco total na prevenção
A mudança de mentalidade, focada em evitar o pior antes que o período de estiagem se agrave, foi celebrada pela liderança operacional. A coordenadora de Proteção e Defesa Civil de Lagoa da Confusão, Weslayne Ferreira, enfatizou o impacto direto da vivência na rotina dos combatentes. “No Jalapão, ampliamos nossos conhecimentos. Embora tenhamos vasta experiência em combate, buscamos aprimoramento na prevenção e no Manejo Integrado do Fogo. Essa vivência tem enriquecido nossos brigadistas, especialmente a liderança e os chefes de equipe, preparando-nos para actuar de forma mais eficaz na prevenção e no combate a incêndios”, concluiu.

Ferramenta científica e ecológica
O Manejo Integrado do Fogo (MIF) se afasta do conceito de destruição e se posiciona como uma prática científica consolidada, respaldada juridicamente pela Lei Federal nº 14.944/2024, que rege a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo. A técnica parte do princípio científico de que o fogo faz parte da evolução e da dinâmica ecológica de biomas como o Cerrado. Quando aplicado sob critérios rígidos e no momento correto, ele atua diretamente na queima controlada do material combustível acumulado, promovendo a renovação da vegetação, mantendo o equilíbrio da biodiversidade e evitando que incêndios florestais descontrolados tomem proporções catastróficas.

Planejamento estadual para 2026
Esses esforços locais estão diretamente conectados a uma política pública macro no estado. O Plano Integrado de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais 2026 busca alinhar ações de monitoramento, prevenção e resposta rápida aos desmatamentos e focos de incêndio, diminuindo perdas ambientais, sociais e financeiras no Tocantins. Este plano foi desenhado a muitas mãos, unindo o trabalho da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), do Naturatins e do Corpo de Bombeiros Militar do Tocantins (CBMTO)/Defesa Civil Estadual, firmando uma rede de proteção governamental para enfrentar de frente os meses de seca severa.



























