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Grávida não encontra médico em hospital e bebê morre durante espera por atendimento

Governo recontratou 386 dos 629 médicos dispensados no dia 1º de janeiro, mas hospitais de Palmas ainda enfrentam a falta dos profissionais.

Uma moradora de Paraíso do Tocantins perdeu o bebê enquanto buscava atendimento médico nos hospitais públicos do estado. Ela estava grávida de nove meses e foi no Hospital Regional da cidade com muita dor nesta sexta-feira (5).

Segundo o marido dela, Natanael Nascimento Dias, não tinha médico na unidade. Nesse sábado (5), a mulher foi para o Hospital Regional Dona Regina, em Palmas, mas o bebê não resistiu. A falta de médicos na rede pública ocorre desde o dia 1º, quando o governo demitiu 629 profissionais.

“Quando atenderam o menino já estava com os batimentos baixinhos e quando fizeram a cesariana, mas disseram que veio a óbito”, disse o marido.

A Secretaria de Estado da Saúde afirmou, em nota, que lamenta o ocorrido com a paciente e irá apurar as circunstâncias dos atendimentos realizados.

Nesta sexta-feira (4), o governo convocou 386 dos 629 médicos dispensados no dia 1º de janeiro, mas até este sábado (5) hospitais de Palmas ainda estariam enfrentando a falta dos profissionais.

O comerciante Holdon Luiz Ribeiro Rêgo, por exemplo, mora em Almas e viajou mais de 270 km para o filho passar por uma consulta no Hospital Infantil de Palmas neste sábado, mas não conseguiu atendimento.

“Me confirmaram [que tinha médico para atender]. Retornei a ligação tanto na Secretaria de Saúde, quanto no Hospital Infantil e me confirmaram que poderia vir às 8h. Chego aqui então tem médico”, lamentou.

Na noite desta sexta-feira (5), a jovem Amanda de Oliveira contou à reportagem da TV Anhanguera que também estava faltando médicos no Hospital Geral de Palmas. Ela está com o avô internado no HGP há um mês.

O paciente tem uma bactéria resistente a antibióticos, chamada de superbactéria. Por falta de profissionais não tinha ninguém para prescrever o remédio necessário.

“Os médicos falaram que ele está resistente a 10 tipos de antibióticos. Eles encontraram um que a bactéria é sensível. Então, ele começou ontem [quinta-feira] o tratamento, mas quando foi hoje [sexta-feira] eu fiquei sabendo que não tem médico para prescrever o medicamento para ele”, contou.

O medo da jovem é que o estado de saúde do avô piore. “A gente sabe se não tomar o antibiótico corretamente quebra o ciclo. Então, o meu medo é de ele ficar resistente também a esse único antibiótico que os médicos conseguiram para ele.”

A Secretaria de Saúde afirmou, em nota, que “os médicos contratados já retornaram aos postos de trabalho. Vale destacar que a escala de cada um depende da direção do hospital ao qual está lotado.”

Entenda

O Governo do Tocantins anunciou que vai recontratar 386 dos 629 médicos dispensados no dia 1º de janeiro. Os servidores tiveram os contratos temporários encerrados junto com outros 15 mil funcionários públicos. Após a medida, houve problema para atender a população em vários hospitais.

O Palácio Araguaia informou que os contratos serão retomados nesta sexta-feira (4). Segundo a nota, o atendimento está sendo realizado por 715 médicos efetivos além dos profissionais das redes municipais. Com as recontratações, o total de médicos no estado vai chegar a 1.101.

Além dos médicos, o governo informou também que vai publicar, a contratação de 60% dos servidores das demais funções ligadas à saúde. Ao todo serão 2.273 servidores que estarão trabalhando nos hospitais.

A dispensa de servidores temporários e comissionados foi anunciada pela equipe de Mauro Carlesse (PHS) como uma forma de contenção de gastos e de reenquadramento do estado na Lei de Responsabilidade Fiscal.

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