Cristiano Pisoni, empresário no ramo de combustível, explica a decisão do governo que elevou para 30% a mistura de etanol na gasolina e para 15% o biodiesel no diesel. Segundo ele, a mudança pode afetar a autonomia dos veículos e aumentar o consumo mensal dos motoristas.
Uma nova composição dos combustíveis passou a vigorar em todo o território nacional, e os motoristas devem ficar atentos. O governo federal oficializou o aumento da mistura obrigatória de biocombustíveis, elevando a proporção de etanol anidro na gasolina de 27% para 30% (E30) e a de biodiesel no diesel de 14% para 15% (B15).
A decisão, segundo o governo, busca estabilizar os preços e ampliar o uso de fontes renováveis, contribuindo para a redução das emissões de carbono. A medida também é vista como uma tentativa de diminuir o impacto dos combustíveis fósseis na economia.
Promessa de economia pode virar dor de cabeça
Embora o argumento oficial seja o de baratear o preço na bomba, o empresário Cristiano Pisoni alerta que a suposta economia pode não se concretizar. Isso porque o etanol tem menor poder energético que a gasolina, o que significa que os veículos precisarão queimar mais combustível para percorrer a mesma distância. “Mesmo com o preço do litro um pouco mais baixo, o motorista vai precisar abastecer com mais frequência. No fim do mês, o gasto será maior”, explica Pisoni.
A recente redução de 4,9% no preço da gasolina A, anunciada pela Petrobras na última terça-feira (21), ajuda a conter o impacto imediato, mas, segundo o especialista, o consumo adicional pode anular o benefício financeiro.
Riscos para motores mais antigos e motocicletas
Apesar de os veículos flex (fabricados a partir de 2003) estarem aptos a rodar com o novo E30, parte significativa da frota brasileira ainda não é preparada para essa mistura. Pisoni chama a atenção para os carros mais antigos, importados e motocicletas, que geralmente possuem motores calibrados para gasolina pura. “Esses motores podem apresentar falhas na partida a frio e até danos mecânicos a longo prazo”, alerta o empresário.
Os problemas mais comuns incluem dificuldades de ignição, instabilidade no funcionamento do motor e aumento do desgaste interno, o que pode gerar gastos com manutenção e redução da vida útil do veículo.
Gasolina premium: a alternativa com preço salgado
Para quem busca uma opção mais segura, a gasolina premium é a alternativa mais recomendada. Ela mantém a composição antiga, com até 25% de etanol, e possui maior octanagem, protegendo motores mais sensíveis.
No entanto, o preço é o grande obstáculo. “Esse tipo de combustível custa, em média, 50% a mais do que a comum. Para a maioria dos consumidores, torna-se inviável”, observa Pisoni.
Assim, o motorista se vê diante de um dilema: arriscar a mecânica com o E30 ou pagar mais caro pela E25 premium.
Empresário pede mais atenção ao consumidor
Cristiano Pisoni criticou a forma como a mudança foi implementada, afirmando que faltou diálogo e consideração com os usuários finais. “Infelizmente, parece que o foco ficou mais na estatística ambiental do que no bem-estar do consumidor e na saúde dos veículos”, lamentou.
Ele orienta os proprietários de automóveis não flex a monitorar o desempenho do motor e realizar manutenções preventivas. Caso percebam perda de potência, aumento de consumo ou falhas, o ideal é procurar um mecânico de confiança antes que o problema se agrave.
Transição verde exige planejamento
A ampliação das misturas de biocombustíveis reflete um movimento global de transição energética, mas especialistas defendem que o processo precisa ser gradual e acompanhado de políticas de adaptação para o consumidor final. Sem essa atenção, a sustentabilidade pode acabar pesando no bolso — e no motor — dos brasileiros.


























