Intercâmbio Arte Vida 2026 reuniu crianças, mestres, familiares e participantes de diferentes cidades em programação construída coletivamente
O Intercâmbio Arte Vida 2026 transformou a Escola Municipal Padre Josimo, em Palmas, em um espaço de encontro entre capoeira, formação cultural e participação comunitária. Realizado nos dias 1 e 2 de maio, o evento foi organizado pelo Grupo Zambê Capoeira em parceria com pais, alunos, professores e integrantes da associação, reunindo 126 participantes em uma programação voltada ao fortalecimento da ancestralidade, da convivência e do protagonismo infantil.
Durante os dois dias de atividades, crianças e adolescentes ocuparam o centro das apresentações, rodas e atividades culturais. A programação contou com feira cultural, oficina de primeiros socorros, apresentações artísticas, rodas de capoeira, batizado e cerimônia de troca de graduações. Alunos do grupo também participaram da condução de momentos ligados à musicalidade, aos fundamentos e à história da capoeira.
Segundo a organização, a edição deste ano teve como foco o protagonismo das crianças dentro da capoeira. Durante a feira cultural e as apresentações, os alunos compartilharam conhecimentos sobre musicalidade, fundamentos e história da prática, além de participarem das rodas realizadas ao longo do intercâmbio.
Para o Professor Gigante, responsável pelo núcleo da Escola Municipal Padre Josimo, o evento representa o resultado de um trabalho construído coletivamente pelas famílias e pela comunidade da capoeira.
“Quando a gente vê as crianças conduzindo apresentações, tocando, cantando e entendendo o significado da capoeira, percebemos que o trabalho vai muito além da atividade física. Existe envolvimento das famílias, compromisso coletivo e um sentimento de pertencimento muito forte dentro do grupo”, destacou.
Além da mobilização das famílias de Palmas, o encontro reuniu participantes de cidades do Tocantins e do Pará, como Marabá, São Geraldo, Guaraí, Dianópolis, Taguatinga, Porto Nacional, Novo Acordo, Tabocão e Miracema, fortalecendo os vínculos entre grupos e ampliando a troca de experiências entre mestres, professores, graduados e alunos.
O trabalho desenvolvido pelo Grupo Zambê Capoeira acontece ao longo de todo o ano em escolas municipais e espaços comunitários da Capital. Atualmente, a associação atende cerca de 110 crianças, adolescentes e praticantes em diferentes regiões de Palmas, unindo prática corporal, musicalidade, educação popular e valorização da cultura afro-brasileira.
O trabalho é conduzido pela Associação Cultural Zambê Capoeira, presidida por Luzigleidson Carneiro de Sousa, o Mestre Curió, que atua com a capoeira no Tocantins desde a década de 1990. Embora fundada oficialmente em fevereiro de 2023, a associação reúne uma trajetória construída há décadas em Palmas, baseada na formação coletiva entre mestres, professores, graduados e alunos.
Segundo Mestre Curió, o intercâmbio foi pensado para valorizar a construção coletiva da capoeira e o papel das crianças dentro do movimento.
“A gente acredita na capoeira como espaço de formação humana. O mais bonito desse encontro foi ver pais, mães, alunos e professores construindo tudo juntos. A criança não participa apenas como espectadora. Ela aprende, ensina, ocupa espaço e entende que também faz parte dessa história”, afirmou.
Na Escola Municipal Padre Josimo, o núcleo coordenado pelo Professor Gigante atende cerca de 30 alunos. Na Escola Municipal Monteiro Lobato, as atividades são conduzidas pelo Instrutor Aruandê, também com média de 30 participantes. Já nas escolas municipais Daniel Batista e Fidêncio Bogo, as aulas são ministradas diretamente pelo Mestre Curió, reunindo cerca de 20 alunos.
O grupo também mantém atividades no setor Sonho Meu, em projeto coordenado pelos professores Shampoo e Cachorro Doido, com aproximadamente 15 participantes, além do núcleo de treinamento de graduados realizado no Parque dos Povos Indígenas, que reúne outros 15 integrantes.
O Intercâmbio Arte Vida integra o calendário anual de atividades promovidas pelo Grupo Zambê Capoeira e se soma a outras iniciativas que vêm fortalecendo a presença da capoeira em Palmas por meio da atuação direta das comunidades, dos mestres e das famílias envolvidas no movimento.
O evento contou com apoio da Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial e Direitos Humanos (Seirdh) com os equipamentos de som, ação esta incluída dentro do calendário municipal de fortalecimento da capoeira e da cultura afro-brasileira.



























