Sob o tema “Fraternidade e Moradia”, Arcebispo de Palmas e deputados debatem o déficit habitacional e a dignidade humana no Tocantins.
A manhã desta terça-feira, 17 de março de 2026, marcou um momento de profunda reflexão social no Parlamento Tocantinense. Em uma Sessão Especial na Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto), o Arcebispo de Palmas, Dom Pedro Guimarães, apresentou as diretrizes da Campanha da Fraternidade deste ano. O foco é urgente e toca em uma das feridas mais expostas da desigualdade moderna: a falta de um teto digno e as barreiras para a conquista da casa própria.
Dignidade sob o teto
Durante seu pronunciamento no plenário, Dom Pedro Guimarães trouxe uma perspectiva que humaniza os dados estatísticos. Para o líder religioso, a residência não é apenas uma estrutura de alvenaria, mas o alicerce onde se sustentam todos os outros direitos fundamentais. “A casa comporta segurança, privacidade e aconchego”, pontuou o Arcebispo, destacando que sem um endereço fixo e seguro, o crescimento humano e a convivência familiar tornam-se tarefas quase impossíveis para a população vulnerável.
Dados globais e locais
Os números apresentados para embasar a campanha são alarmantes e revelam uma crise de escala mundial com reflexos severos no coração do Brasil. Citando dados da ONU, o Arcebispo lembrou que 1,8 bilhão de pessoas no mundo carecem de moradia adequada. No plano regional, o cenário não é menos desafiador: o Cadastro Único (CadÚnico) registrou, no último ano, centenas de pessoas vivendo em situação de rua no Tocantins, com uma concentração crítica em Palmas, que abriga mais da metade desse contingente.
Desafio da casa própria
Um dos pilares da Campanha da Fraternidade 2026 é o debate sobre a posse da terra e o acesso à propriedade. A análise econômica apresentada na Aleto mostra que uma parcela significativa dos tocantinenses ainda vive sob a instabilidade do aluguel. Em Palmas, esse índice atinge quase metade da população, evidenciando uma pressão financeira que compromete a renda das famílias e retarda o sonho da estabilidade habitacional, algo que a Igreja defende como viabilizador da “moradia plena”.
Compromisso do poder público
A recepção dos parlamentares foi de adesão ao apelo social da Igreja. Os deputados reconheceram que a habitação é a porta de entrada para serviços básicos como saúde, educação e saneamento. O lançamento na Aleto serve como um chamado à ação para que o Estado intensifique políticas públicas de habitação popular e regularização fundiária. O objetivo é transformar a discussão teórica em soluções práticas que retirem centenas de cidadãos da invisibilidade das ruas e da insegurança dos aluguéis abusivos.


























