Governador nega rombo milionário e acusa sucessor interino de criar instabilidade artificial para justificar medidas emergenciais.
A cena política no Tocantins ganhou um novo capítulo de tensão nesta segunda-feira, 3. O governador em exercício, Laurez Moreira, convocou a imprensa para expor um cenário de crise aguda na Secretaria Estadual de Saúde, avaliando um déficit alarmante de R$ 580 milhões. Em sua coletiva, Moreira detalhou que esse montante inclui mais de R$ 200 milhões destinados especificamente ao Servir, o plano de assistência à saúde dos servidores públicos estaduais. A situação, segundo ele, seria de precariedade financeira, marcada pelo atraso de dois meses no pagamento a fornecedores, forçando a iminente edição de um decreto emergencial que permitiria contratações sem licitação, visando manter as portas das unidades de saúde abertas.
O Contra-Ataque: Defesa da Gestão Anterior
Em resposta rápida e firme, o governador afastado, Wanderlei Barbosa, utilizou uma nota oficial para desmantelar as alegações de seu sucessor interino. Barbosa argumentou que o orçamento anual destinado à saúde, superior a R$ 3,2 bilhões, naturalmente gera “restos a pagar” compatíveis com a dinâmica do setor – dívidas herdadas e compromissos correntes. Ele fez questão de ressaltar que sua gestão havia sido eficiente na quitação de passivos antigos, citando o pagamento de valores superiores a R$ 700 milhões. Para o ex-governador, o número de R$ 580 milhões soa como uma manobra, pois implicaria a inclusão de dívidas prescritas há mais de cinco anos, algo que, segundo ele, desqualificaria qualquer gestão responsável.
Estabilidade e o Caso Servir
A defesa de Wanderlei Barbosa não se limitou ao montante geral. Ele contestou diretamente o estado do plano Servir, assegurando que ele se encontra regularizado e em pleno funcionamento, sem qualquer ameaça de paralisação. A crítica do ex-governador focou no fato de que, nos últimos dois meses, o próprio governo interino teria deixado de repassar valores já descontados dos salários dos servidores, um movimento que, ironicamente, poderia ser a verdadeira causa de qualquer aperto no caixa do plano. Barbosa ainda esclareceu que a suposta “dívida mensal” de R$ 50 milhões seria, na realidade, a contrapartida regular do Tesouro Estadual para assegurar a sustentabilidade do benefício, destacando que sua gestão expandiu a capacidade de atendimento do Servir em três vezes.
Credibilidade Fiscal Versus Tentativa de Crise
Para finalizar sua argumentação, Wanderlei Barbosa acusou Laurez Moreira de tentar criar uma crise artificial e indevida para justificar atos administrativos. Ele contrapôs essa narrativa com os resultados de sua administração, que, segundo ele, garantiram estabilidade financeira e uma execução orçamentária acima da média legal, culminando na melhoria da classificação de risco fiscal do estado em órgãos de controle. O ex-governador terminou sua nota criticando a postura do governo interino, que, desde o início, estaria promovendo “calotes” em fornecedores, lançando uma sombra sobre a confiabilidade do Tesouro Estadual.


























