Mais do que uma excursão rodoviária, a jornada de 60 amigas rumo ao santuário das lagoas cristalinas foi um reencontro com a liberdade e a realização de sonhos guardados no peito.
Há desejos que guardamos na alma à espera do momento certo para transbordar. Para um grupo de 60 amigas nascidas e criadas sob o sol do Tocantins, esse momento ganhou forma, estrada e destino entre os dias 2 e 9 de julho. Cruzando fronteiras em uma viagem de ônibus repleta de sorrisos, cantorias e expectativas, a comitiva organizada pelo afeto de Maria de Lurdes (de Tocantinópolis) e sua filha Joaquina Borges (de Palmas) partiu rumo aos Lençóis Maranhenses. O grupo chegou ao litoral justamente no ápice da magia da região: a temporada em que o deserto se transforma em um milagre de lagoas azul-esverdeadas, nascidas das lágrimas da chuva para abraçar a areia branca.
Lágrimas de realização
Atrás de cada poltrona do ônibus, havia uma história de vida e a expectativa de tocar o horizonte. Sob a condução cuidadosa do guia Waldiney Lopes, a viagem deixou de ser uma simples logística para se tornar a lapidação de um sonho coletivo. Para a grande maioria daqueles viajantes, ver o mar de dunas pela primeira vez era uma promessa antiga feita a si mesmos. O brilho nos olhos de cada um se intensificou ainda mais quando alguns deles puderam, pela primeira vez na vida, sentir a brisa do oceano tocar seus pés nas praias nativas de Atins e Caburé.
“Com paisagens deslumbrantes e uma energia única, essa aventura ficará marcada nas nossas memórias”, emocionou-se a turista Nycélia de Jesus, traduzindo o sentimento de um grupo que já não era o mesmo de quando partiu.

Silêncio e comunhão
A imensidão maranhense abraçou os tocantinenses em suas diferentes nuances. Na calmaria de Santo Amaro, o grupo encontrou um convite ao recolhimento, onde o silêncio das praias quase desertas permitiu que cada um ouvisse o próprio coração. Já em Barreirinhas, a recepção calorosa e a infraestrutura local envolveram os visitantes em um clima de festa e acolhimento humano, transformando a cidade na porta de entrada para vivências inesquecíveis.

Para a escritora tocantinense Neuza de Jesus, a imensidão das dunas funcionou como um espelho para a alma, inspirando palavras que tocam o divino. “Olhar para os Lençóis é ver a poesia escrita pelo vento nas curvas da areia. O contraste entre a brancura infinita das dunas e as águas esverdeadas sob o céu azul-anil faz a gente sentir que está caminhando dentro de uma pintura natural, onde o tempo parece parar para contemplar e admirar a própria beleza”, destacou Neuza.

Laços que abraçam
Mais do que contemplar a paisagem, a expedição foi um testemunho do poder da união. Para Sinthia, trilheira do grupo Rolê nas Trilhas e uma das organizadoras, ver o lugar pela segunda vez foi a certeza de que a natureza nunca se repete para quem sabe olhar com o coração. “Continuo impressionada com a vastidão das dunas e a beleza das lagoas; é algo que só vendo para acreditar. A cada descoberta e a cada subida em uma duna, uma nova lagoa surgia, nos convidando a parar e a mergulhar em suas águas refrescantes”, relembrou.

Essa sensibilidade foi potencializada pela presença marcante de mulheres que carregam a força de coletivos tocantinenses, como Beatriz Stracke (Mulheres na Trilha e Viagens PMW), a voz marcante da cantora Luzenir Poli (Tô no Luau), Francis (Trilheiras de Porto Nacional) e Márcia Cristina (As Poderosas). A viagem tornou-se, por fim, um altar de celebração da vida: Ivaneide Cardoso (do grupo Só Falta Você) escolheu o topo daquelas dunas, cercada de amor e amizade, para soprar as velinhas de seu aniversário. Eles voltaram para o Tocantins com a bagagem mais leve e a alma infinitamente mais cheia.



























