Vacinação, exames preventivos e informação são as principais armas contra uma doença que pode ser evitada na maioria dos casos.
Silencioso nas fases iniciais e altamente prevenível, o câncer de colo do útero segue como um dos principais desafios da saúde pública no Brasil. Em janeiro, mês marcado pela campanha Janeiro Verde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e entidades médicas reforçam o alerta para a importância da vacinação contra o HPV, do uso de preservativos e da realização periódica do exame Papanicolau, estratégias capazes de evitar a maioria dos casos da doença.
Segundo a oncologista Marina Vasco, a relação entre o câncer de colo do útero e o papilomavírus humano (HPV) é direta. “Mais de 90% dos casos estão associados à infecção persistente pelo HPV. É um câncer que pode ser evitado e, quando diagnosticado precocemente, tem altas taxas de cura”, afirma.
A vacinação contra o HPV, oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos, faixa etária considerada ideal por anteceder o início da vida sexual e garantir maior eficácia imunológica. “A vacina é segura, eficaz e representa um avanço decisivo na prevenção desse tipo de câncer. Vacinar também os meninos é fundamental para reduzir a circulação do vírus”, explica a especialista.
Além da imunização, o exame Papanicolau, recomendado para mulheres a partir dos 25 anos ou após o início da atividade sexual, é uma ferramenta essencial para o diagnóstico precoce. O teste identifica alterações celulares antes que evoluam para o câncer. “O exame não detecta o câncer apenas quando ele já está instalado, mas lesões iniciais que podem ser tratadas antes de se tornarem graves”, destaca Marina Vasco.
O uso do preservativo também integra o conjunto de medidas preventivas, ao reduzir o risco de transmissão do HPV e de outras infecções sexualmente transmissíveis. Para a oncologista, a combinação entre vacinação, exames regulares e informação é o caminho mais eficaz para mudar o cenário da doença no país.
“O Janeiro Verde é um convite à conscientização, mas a prevenção precisa acontecer o ano todo. Falar sobre câncer de colo do útero é falar sobre cuidado, acesso à saúde e, principalmente, sobre salvar vidas”, conclui.



























