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Seminário discute como transformar o ensino da matemática no pós-pandemia

Instituto Sidarta e Itaú Social fazem evento com secretarias de Educação em 26 e 27 de outubro

O impacto da pandemia da Covid-19 na educação é gigantesco, e gestores públicos precisam adotar ações imediatas para responder a este desafio. A matemática, que já sofria com baixos índices de desempenho, está ainda mais distante de um ensino eficiente. Atento a isso, o Instituto Sidarta vai reunir Secretarias Municipais de Educação no 3º Seminário Mentalidades Matemáticas, em 26 e 27 de outubro, em parceria com o Itaú Social e apoio do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA).

O encontro vai dialogar sobre a importância da matemática no mundo pós-pandemia e o papel fundamental dos gestores educacionais na mobilização das redes de ensino para melhorar os índices de aprendizagem. Os secretários de Educação serão convidados a refletir sobre os dados compartilhados e a articular estratégias para alterar esses dados nos próximos anos. Ao final, será compartilhada uma agenda propositiva, com ações e iniciativas para a área da matemática.

“Para que um cidadão possa transitar e interagir na sociedade digital, é preciso que aprimore o pensamento matemático.  O desafio da aprendizagem matemática não pode ser apenas da responsabilidade do professor dentro de suas salas de aula. Exige um compromisso de toda a sociedade para avançarmos com os resultados de aprendizagem”, afirma Ya Jen Chang, presidente do Instituto Sidarta.

Responsável por trazer e aplicar no Brasil a abordagem de ensino Mentalidades Matemáticas, desenvolvida na Universidade Stanford, o Instituto Sidarta colhe resultados positivos. O Curso de Férias, realizado com alunos de escolas públicas de Cotia (SP) por 10 dias em 2020, resultou em um salto equivalente a 1 ano e 3 meses em escolaridade matemática, calculado pelo desempenho na avaliação MARS (Mathematics Assessment Resource Service). O Itaú Social transformou o Curso em uma tecnologia educacional, disponível para as secretarias municipais de educação a partir de 2022.

“Historicamente, a aprendizagem da matemática é um desafio no contexto brasileiro, principalmente se considerarmos alunos mais atingidos pelas consequências das desigualdades sociais, com ênfase na questão de gênero. Estes resultados significam que mais estudantes podem se beneficiar com a metodologia, e é fundamental colocá-la à disposição de todos os municípios e estados brasileiros”, diz a coordenadora de implementação regional do Itaú Social, Claudia Petri.

Nova maneira de pensar e ensinar a disciplina

Para alcançar os resultados, o Programa Mentalidades Matemáticas transforma a forma de pensar a disciplina e a maneira de ensinar. Baseada em estudos da neurociência, a abordagem derruba mitos, como de que “a matemática é para gênios”, e mostra que errar faz parte do processo de aprendizagem. Criado pela professora de Educação Matemática de Stanford Jo Boaler, o programa defende o ensino de uma matemática aberta, visual, criativa e mais equitativa.

Boaler é uma das palestrantes do evento. Além de apresentar a relação entre neurociência e matemática, falará do seu projeto em curso nos EUA “Data Science for Everyone” (Ciência de Dados para Todos), que leva para a sala de aula conceitos de ciência de dados e moderniza o ensino da matemática.

“Ensinar ciência de dados nas escolas é muito mais do que preparar os jovens para carreiras bem remuneradas. É promover competência para ler, analisar, comunicar e fazer sentido dos dados que afetarão as vidas das pessoas no mundo todo. Queremos preparar cidadãos para que possam navegar em um mundo repleto de dados. Felizmente, os gestores educacionais dos Estados Unidos estão começando a reconhecer a necessidade dos alunos desenvolverem a alfabetização em dados”, afirma Boaler.

Em dois dias, o Seminário terá palestrantes internacionais, nomes da academia e do mercado em painéis temáticos (Ágoras) sobre neurociência, economia, equidade, matemática na era digital e o programa Mentalidades Matemáticas. O encontro quer mostrar como a disciplina é fundamental para entender o mundo e essencial para o mercado de trabalho do futuro e o desenvolvimento econômico dos países. Veja abaixo a programação.

Os participantes também farão vivências (oficinas) e debates para elaborarem o texto do compromisso pela educação matemática. Os painéis serão abertos ao público mediante inscrição. Clique aqui para se inscrever. As vivências serão exclusivas para os integrantes das Secretarias de Educação.

Programação:

26 de outubro

9h – Abertura

9h30 – Ágora Neurociência: palestrantes: Jo Boaler, professora de Educação Matemática da Universidade Stanford; Carla Tieppo, neurocientista e pesquisadora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo; Charles Bezerra, doutor em inteligência artificial pelo Illinois Institute of Technology. Mediação: Claudia Siqueira, diretora pedagógica do Instituto Sidarta.

10h30 – Ágora Economia: Vitor Magnani, presidente da Associação Brasileira Online to Offline e do Conselho de Comércio Eletrônico da FecomercioSP; José Alberto Cuminato, diretor do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão do CeMEAI – USP; e Carolina da Costa, doutora em Cognição e Educação pela (State University of New Jersey), professora de pensamento-crítico e inovação do Insper e sócia da Mauá Capital. Mediação: Ya Jen Chang, presidente do Instituto Sidarta.

11h20 – Ágora Equidade: Pia Wong, professora da Universidade do Estado da Califórnia; Carlos Cabana, professor de matemática na Califórnia; Sonia Dias, Coordenadora de Implementação Municipal (Itaú Social). Mediação: Claudia Siqueira, diretora pedagógica do Instituto Sidarta.

14h – Ágora Evidências de Aprendizagem (apresentação do Programa Mentalidades Matemáticas): Cathy Williams, cofundadora e diretora-executiva do Centro de Pesquisa Youcubed da Universidade Stanford; Jack Dieckmann, diretor do Centro de Pesquisa Youcubed da Universidade Stanford; e Elisa Sena, professora de Matemática e de Ensino de Matemática na Universidade Federal de Alagoas (UFAL); Henrique Marins, professor do Instituto Federal de São Paulo. Mediação: Marina França, coordenadora pedagógica do Mentalidades Matemáticas.

15h – 18h – Vivências – experimentação da abordagem

27 de outubro

9h – Ágora Matemática na Era Digital: Jo Boaler, professora de Educação Matemática da Universidade Stanford; Roberto Imbuzeiro, pesquisador do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA); Karla Oliveira Esquerre, professora associada da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Coordenadora do Projeto Meninas na Ciência de Dados. Mediação: Ya Jen Chang, presidente do Instituto Sidarta.

10h – Vivências – experimentação da abordagem

Compromisso – encontro para celebrar o termo de colaboração e compartilhar a agenda propositiva de ações e iniciativas sobre a área de matemática.

12h – Encerramento

Sobre o Programa Mentalidades Matemáticas

O Programa Mentalidades Matemáticas no Brasil foi cocriado pelo Instituto Sidarta, organização sem fins lucrativos que tem como objetivo contribuir para alterar as políticas públicas educacionais, e pelo Centro de Pesquisas Youcubed, da Universidade Stanford. Este programa tem como base os estudos da professora Jo Boaler, aliados à estratégia do trabalho em grupos colaborativos, desenvolvido pelas pesquisadoras Rachel Lotan e Elizabeth Cohen. O objetivo é compartilhar com professores estratégias para trabalhar a disciplina de forma mais aberta, criativa e visual, priorizando a investigação matemática. O Programa incentiva discussões colaborativas e valoriza as diferentes maneiras de pensar a matemática, por considerar que toda criança é capaz de aprendê-la em profundidade.

Este é o terceiro Seminário Mentalidades Matemáticas. O primeiro, em 2018 em São Paulo, promoveu debates e atividades com base na abordagem para professores. No ano seguinte, a segunda edição teve a presença no Brasil de Cathy Williams e Jo Boaler, que lançou o livro “Mente Sem Barreiras”. Em 2020, com a pandemia, o Seminário foi adaptado para duas séries de webinários, transmitidos pelo YouTube.

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