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Músicos protestam em avenida e pedem retorno ao trabalho: ‘Boca que não canta não come’

Prefeitura disse que música eletrônica e show com apenas voz e violão não estão proibidos. Músicos querem que a liberação se estenda a todos os profissionais.

Músicos fecharam a avenida Tocantins, em Taquaralto, região sul de Palmas, na noite desta segunda-feira (19), para protestar. Com cartazes e carro de som, os profissionais pediram para voltar ao trabalho. Em uma das faixas, eles pediram: “Todos nós temos família para cuidar, música também é emprego”; “Boca que não canta, não come”.

A cantora Polliana Alves participou do protesto. Ela e o marido, que é tecladista e cantor, vivem exclusivamente da música. Ela relata que tinha shows marcados até o mês de junho e que todos foram cancelados. Está sem trabalhar desde o início da pandemia.

“Todas as empresas estão trabalhando e os únicos que não estão somos nós. A gente quer trabalhar, ganhar nosso dinheiro para sustentar nossas famílias. Queremos que a prefeitura libere, claro, adotando toda a segurança. Os bares estão lotados, os comícios lotados e não podemos trabalhar”.

A Prefeitura de Palmas disse que há um equívoco em relação a interpretação do decreto e que música eletrônica e show com apenas voz e violão não estão proibidos. (Veja o posicionamento completo abaixo)

Polliana disse ainda que o desejo é que todos os músicos sejam autorizados a voltar às atividades e não apenas voz e violão. “A maioria dos músicos da região sul não usa voz e violão. Todos precisam trabalhar”, disse.

O protesto começou às 18h e encerrou por volta das 20h. Os músicos fechavam a avenida Tocantins usando as faixas e os cartazes, mas depois liberavam.

Em todo o estado, são cerca de 2,7 mil músicos. O protesto foi realizado de forma independente por alguns profissionais.

Também nesta segunda-feira, representantes da Ordem dos Músicos do Brasil, seção Tocantins e o Sindicato dos Músicos do Tocantins, se reuniram com a prefeita da capital Cinthia Ribeiro para cobrar o retorno das atividades.

Eles apresentaram um protocolo contendo normas e medidas de segurança que podem ser adotadas pelos profissionais durante as apresentações.

Para os representantes, o município deveria estender a liberação para todos os músicos e não apenas para pequenos shows com apenas voz e violão. O argumento é de que não dá para ter limite de músicos, pois todos precisam trabalhar.

O que diz a Prefeitura de Palmas

 

A prefeitura disse que, durante a audiência com os representantes da Ordem dos Músicos do Brasil, seção Tocantins e do Sindicato dos Músicos do Tocantins, a prefeita Cinthia Ribeiro esclareceu que está havendo um equívoco na interpretação do Decreto Municipal nº 1.903/2020, que segundo reiterou, não proibiu música ambiente, como voz e violão e música eletrônica. Ela explicou que o decreto veda a aglomeração, por isso, shows artísticos não estão liberados.

A prefeitura destacou que Palmas, através do edital Palmas Curte Arte em Casa, foi o único município do estado que ofereceu auxílio no valor de R$ 2 mil à classe artística, impactada pela pandemia.

Durante a reunião, foi definida a publicação de um novo edital de incentivo aos profissionais da cultura, por meio da Lei Aldir Blanc, que também irá atender aos músicos. O documento deverá ser publicado até o final desta semana.

A prefeitura também destacou que não fiscaliza a atividade dos músicos, o que são fiscalizados são os estabelecimentos comerciais em relação ao cumprimento do decreto municipal. Estas empresas devem assegurar o distanciamento social, disponibilizar álcool em gel e outras medidas de segurança sanitária para evitar a propagação do novo coronavírus. O descumprimento das regras sanitárias é que levam a prefeitura a notificar ou multar o estabelecimento comercial, informou.

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